quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Nada além de sentimento



Não sou fã de coisas efêmeras. Sentimento é algo importante pra mim. Eu levo determinadas coisas muito a sério, essa é uma delas. Pode ser paixão, carinho, afeto, amor, o que for. Sentimento efêmero, passageiro, não é comigo. Passageiro apenas sentimentos ruins, o que for bom, não deve ser hoje e amanhã não. Não sei lidar com pessoas que, por exemplo, amam hoje e amanhã já desamam. Tudo de um jeito tão simples, como se sentimento fosse papel que facilmente você amassa e joga fora. E eu falo isso de modo geral, cada dia mais as pessoas descartam outras. Eu não nasci para um mundo onde sentimentos bons são descartáveis, onde pessoas são descartáveis. Eu tenho uma intensidade dentro de mim que transborda e se não é para continuar sendo trasbordada eu prefiro que nem comece. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Reis são covardes!

"Ouviu falar de reis que saem para passear pelo seu próprio reino? Não, é claro que não. O rei permanece em seu castelo. Sabe por quê? Porque quando o rei deixa seu trono, dá a oportunidade aos inimigos para reclamá-lo. Não é inteligente da parte de um rei" - Filme Rebelião.

Algumas pessoas agem como reis, com alguém sempre a dar-lhes comida na boca, a servir de bobo da corte para os seus risos histéricos, estão sempre rodeadas de pessoas que fazem o que elas querem, por isso nunca sujam as mãos. Quem tem tudo a disposição nunca precisou ir à luta, não sabe nada do mundo, é fraco diante de qualquer situação e vai sempre precisar de alguém para fazer algo por ele. Súditos conhecem do mundo, são fortes, matam um leão por dia e ainda bebem seu sangue, só ainda não perceberam que não precisam de um rei. Reis não colocam a mão na massa, são fracos e covardes, sugam do povo e nunca estão na linha de frente. Precisam muito mais dos seus súditos do que os súditos deles. Podemos dizer que um rei tem no mínimo inteligência para manter quem quer ao seu lado, com adornos ele vai manipulando, fazendo quem nunca se curvou ser um verdadeiro submisso. Ainda assim, ser assim não é digno de glória, é digno de desprezo. Por mais inteligente que um rei possa ser, quando na mente não existe a honestidade, tudo padece. Ninguém sofre da síndrome de Estocolmo para sempre, uma hora o maior medo de um rei torna-se realidade: "O véu da ignorância do povo cai". E por mais que um rei, diante de toda a sua riqueza, consiga se salvar, algo nele não será facilmente salvo: O seu caráter.  Sendo assim, não seja um rei, prefira ser um súdito.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Por que o mundo não está em ordem como nos livros?


              Nos livros existe uma simetria, algo contínuo, início, meio e fim. Se o escritor não consegue preencher lacunas, dar continuidade, coesão e coerência, ele é tido como um péssimo escritor. E o que dizer de quem escreveu essa história chamada mundo? Cada dia mais perverso, mais louco, confuso, ao contrário. Não tem simetria, não tem continuidade, em cada caminho surgem outros caminhos, pedras, bifurcações, e você se perde sem saber o que escolher e antes mesmo de escolher já tem que arcar com as consequência de uma escolha que ainda não fez. 
              Talvez fosse bom se o mundo fosse como nos livros, onde no fim todo mundo é feliz e você fica com aquele gosto de uma bela história saboreada. Eu ate agora só sinto um gosto amargo chamado: Dúvida. É não saber pra onde ir, o que fazer com aquela proposta,  que tema de TCC, estudar politica ou questões LGBT, otimizar o tempo ou aproveitar o tempo, mudar de emprego, em quem votar, em quem confiar, será que me apaixonei, será que ainda a amo, é recíproco, o quanto ela sente ainda por mim, o que eu vou fazer com a saudade amanhã, porque hoje eu não fiz nada, o que eu posso fazer pra ajudar ou será melhor não me meter? Nos livros tem respostas... E embora Sócrates tenha dito que não são as respostas que movem o mundo, mas sim as perguntas, confesso que tudo poderia ter no mínimo um pouco de ordem, como a ordem dos livros. 




Texto inspirado no filme: Paranoia. 



Me apaixonei pelo que eu inventei de você (8



Talvez você não seja tudo isso que eu acho que é. Eu precisava tanto de uma versão, uma boa versão e aí você apareceu, me dando a chance de transforma-la no que eu quisesse. Intacta, mesmo sabendo de todos os defeitos, fantasiei. Fantasiei carinho, atitudes, olhares, toques, fantasiei reciprocidade. E agora, olha eu aqui, pensando em você, querendo um oi, um bom dia, um olá qualquer. Eu gostei tanto dessa fantasia que passei a vive-la mais do que eu deveria. Quantas vezes encostei a cabeça na parede do banheiro e enquanto a água do chuveiro molhava o meu corpo eu fechava os olhos e por alguns segundos eu projetava cenas com você em minha mente, seu olhar, sua voz, seu toque, sua respiração, a troca de olhares, você ao meu lado... Apenas você. Eu projetei tantos "e se's" que agora nem sei o que de fato existe. Eu sei que você existe, ao menos a sua existência não foi projeção da minha mente. Isso me machucaria muito se fosse verdade. 
Mas o que eu fiz de você não foi real. E cada vez que o véu cai um pouco e descobre os meus olhos, dói. Chega de criar cenas, de te imaginar, de te consertar ao meu bel prazer... Não teve olho no olho, não teve carinho, não teve reciprocidade. Tiveram apenas momentos impulsivos, o que não significa que teve sentimento. Sentimento é outra coisa, sentimento é o que guardo aqui no peito, sentimento que não fantasiei, que me fez viver cada pequena sensação... Mas agora chega! Chega de falar de você, chega de te imaginar, desenhar, fantasiar. Cansei desse sentimento, ele tem que morrer! 




Sobre dominar o mundo.



Foi por essa garota que eu transbordei de amor. Uma mulher menina, que no começo não tinha sonhos, não queria seguir ou ser nada em especial, mas com o tempo se descobriu pra vida. Com um riso lindo e solto, com uma dor nos olhos, um outro eu dentro de si, que ela teimava em não querer mostrar pra mim. Bem humorada, inteligente, questionadora, esperta, taurina com ascendente em escorpião. Eu sempre vou lembrar dela da forma mais doce que alguém pode se lembrar de outra pessoa. Vou lembrar da nossa primeira música, que antes mesmo de sabermos o nome já dizíamos que era nossa, da emoção de buscá-la no aeroporto, dos abraços, do sexo, dos risos, das pizzas, daquela pizza devorada em 3 minutos, dos sustos, das brigas que terminavam em beijos, abraços e sexo, dos conselhos, das cartas trocadas, das lágrimas compartilhadas, da aceitação de uma a outra e dos quase 4 anos vividos e do que não contamos porque estávamos ocupadas demais curtindo uma a outra. E sabe do que mais eu não vou esquecer? Do anseio bobo dela em dominar o mundo, dos 30 segundos de dominação diante de um liquidificador. Do riso diabólico e brincalhão dela enquanto batia a vitamina. Ela jurava que isso era dominar o mundo, mas deixou de perceber que durante muitos anos ela foi parte do meu mundo. Juntas dominamos o mundo e fizemos dele um lugar gostoso para morar. E isso? Isso é algo que eu vou levar comigo. Cada gota de amor transbordada foi espalhada diante do mundo que vivemos, contagiamos pessoas, inspiramos, aproveitamos e fomos felizes. 

É, Daflon... Eu te amei por mil anos e te amaria por mais mil. 





Será que um dia eu vou conseguir te olhar e não sentir nada? 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

#Antigos8

Hoje foi o ultimo dia que eu a vi, seus olhos estavam fechados, a sua maquiagem intocável, as maçãs de seu rosto pareciam sorrir para mim, pele límpida, fina, macia. Seus cabelos, o vento brincava com eles. Ela estava ali dentro, paralisada, não mais se levantaria, não mais abriria os olhos, não mais me diria doces palavras, ou brigaríamos pelo nada. Não haveria mais eu te amo, só a lembrança do que fomos e minha doce imaginação ao pensar no que poderíamos ter sido. 
Ela se foi para não mais voltar. 
As lágrimas desciam involuntariamente, um filme passava em minha mente, a felicidade que foi tê-la comigo todos aqueles anos e o quanto eu gastei meu tempo com besteiras e discussões fúteis enquanto poderia estar abraçado com ela. Agora se foi, ela estava em minha frente, dentro de um caixão, pronta para ser levada terra abaixo enquanto eu gritava seu nome e tudo que conseguia dizer era: "Não me deixe; não se vá", mas ela não me ouvia e eu sabia disso, sabia também que um dia aconteceria, mas eu não estava preparada para aquilo, Nunca estamos preparados para dizer adeus a quem verdadeiramente amamos. 
Eu falava baixinho: "Você foi tudo, me perdoe, eu podia ter feito melhor, aproveitado mais, eu te amo". Era um misto de dor, solidão, desespero, perda, tantos sentimentos misturados, tantas visões em minha mente, meu coração descia com aquele caixão terra abaixo, e nada do que alguém me dissesse servia de conforto... – "Vocês não entendem? Eu a amo, eu a amo, e ela se foi, ela se foi". As últimas palavras saiam em um sussurro, eu queria gritar, correr, subir aos céus e pedir a Deus mais um minuto com ela. Uma parte de mim se foi, meu coração parecia parar de respirar aos poucos, eu desejei estar em seu lugar, eu desejei ser eu ali e não ela, e só assim não sentir a dor que eu sentia. 
Tudo que eu podia fazer era gritar, chorar, implorar com todo egoísmo do mundo para que Deus não a levasse, como se ele pudesse fazer algo, voltar o tempo, ressuscitá-la. O desespero tomava conta de mim, eu não sabia mais o que dizer ou fazer. 
Ela não me olharia nos olhos pedindo desculpas por uma grosseria, ela não diria o quanto era bom eu estar em sua vida, ela agora só viveria em mim. Minha vida agora seria assim, sem brilho, sem cor, sem ela! "Eu poderia ter feito melhor, eu poderia ter feito melhor", precisei perder, não por segundos, minutos, horas, dias, eu precisei perder ela por todo o resto de minha vida, para só então perceber o quando meu orgulho usou de mim esperando aquele dia, o quanto eu podia ter abdicado de certas coisas por alguém que tanto amei e muitas vezes desprezei, briguei, gritei, fui grossa. Eu podia ter feito mais, ter feito melhor, eu poderia, poderia, poderia... E agora ela se foi e eu não posso mais, eu a perdi, fisicamente... Eu a perdi!